Título: Três Domingos em uma Semana
Original: Three Sundays in a Week
Autor: Edgar Allan Poe
Número de páginas: 4
Ano: 1841
Tradução: Fonte não localizada

Conto disponibilizado pelo desafio literário #12mesesdepoe (criado pelo blog Anna Costa) para o mês de junho.

Três domingos numa semana (1841) fala de paradoxos temporais e viagens no tempo décadas antes de A Máquina do tempo (1895), de H. G. Wells, e da teoria da relatividade geral de Einstein. Em conto de raro humor, quase escachado, Poe desenvolve enredo baseado em diferenças cronológicas comuns em viagens marítimas do século 19, fato que gerou discussões à época: viajantes de navio que circundavam o globo em direções opostas registravam datas diferentes nos diários de bordo. 

(Atenção: contém spoiler!)  

O sobrinho-neto do senhor Rumgudgeon foi criado por ele e amava Catarina, a filha dele. Como o sentimento da moça era recíproco, ele resolve perguntar ao velho homem se ele era favorável ao casamento deles.

Rumgudgeon responde que aceitará que sua filha se case com ele apenas quando houvesse três domingos em uma semana. E, apesar de parecer brincadeira, ele falava sério.

Ocorreu então que uns conhecidos de Catarina que eram marinheiros, haviam voltado de viagem recentemente e foram visitá-los. Conversa vai, conversa vem, o sobrinho resolve convidá-los para um jogo de whist no dia seguinte. O capitão Pratt diz que domingo não é um dia adequado para tal jogo. Mas Catarina e seu pai acham estranho, tendo em vista que naquele dia em que se passava a conversa já era domingo.

Eis que surge a questão do fuso-horário. O capitão Smitherton, sendo um dos dois marinheiros que viajou pelo mundo todo, explica a confusão para Rumgudgeon:

"Pois bem: isso é feito à razão de mil milhas por hora. Ora, suponhamos que desta posição a mil milhas a leste. Sem dúvida, antecipar-me-ei aó nascer do sol, aqui em Londres, justamente uma hora. Verei sol levantar-se uma hora antes que o senhor o veja. Continuando na mesma direção ainda outras mil milhas, antecipar-me-ei duas horas ao nascer do sol; outras mil, e antecipar-me-ei três horas, assim por diante, até dar uma volta completa em torno do globo e estar de volta a este mesmo ponto, quando, tendo percorrido vinte e quatro mil milhas para leste, antecipar-me-ei ao nascer do sol, em Londres, nada menos de vinte e quatro horas; isso é, acho me um dia adiantado ao tempo do senhor. [...]
O Capitão Pratt, pelo contrário, depois de ter navegado mil milhas para oeste desta posição estava atrasado uma hora, e, depois de ter navegado vinte e quatro mil milhas para oeste, estava vinte e quatro horas ou um dia em atraso ao tempo de Londres. De modo que, para mim, ontem foi domingo. De modo que, para o senhor, hoje é domingo. De modo que, para Pratt, amanhã será domingo. E o que é mais Rumgudgeon, positivamente claro é que todos nós estamos certos, porque não pode haver raciocínio filosófico que especifique qual das ideias de cada um de nós deveria prevalecer sobre a dos outros."

E assim, graças ao fato de o domingo ser em dias diferentes para cada um deles, o velho Rumgudgeon teve que aceitar de bom grado o casamento da filha com seu sobrinho-neto.

Infelizmente a leitura desse conto não me atraiu tanto quanto os demais. Não sei se foi pelas poucas páginas, ou pela falta das grandes descrições do cenário e dos personagens (porque adoro um enredo bem descritivo), mas sei que não ganhou meu coração como os outros contos.

Porém, gostei do tema tratado, e me lembrou mais uma vez sobre a escrita de Júlio Verne, que usa a mesma questão de horários em A Volta ao Mundo em 80 Dias.

Recomendo a leitura desse conto para quem tem receio das histórias macabras de Poe. Ele possui uma pegada mais leve, sem assombrações, eventos sobrenaturais ou pessoas tomadas pela loucura. De todos que li até aqui, este conto apresenta uma história que facilmente poderia acontecer.


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